quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lume no Breu

Pontos de interrogação povoam poesias
Escondem-se sob a máscara da afirmação
Em quais pontos eles estão?
Bradam tímidos pavores ocultos,
Pedem abrigo, desvalidos
A brigar velando a alma
Adormecida, apavorada
Sem saber que revelada
Causa a luz ao seu redor

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

01 de Outubro

Presente da primavera
Desabrochou em meu peito
A minha flor, flor do Lácio
Dona do meu pensamento

Causei seu sorriso e sem ter aviso
O meu foi nascer pelo seu poder
Sorri em segredo, por tédio, medo
Da pétala até dizer mal-me-quer
Da venenosa pétala do mal me querer

Nessa tragédia da inércia
Sorrisos dados
Não se tocaram
Viraram passado
Sem um amor pelo qual morrer.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O sorriso da atriz

Poetas e dramaturgos em vão
Tentarão num só termo definir
Desbravam triunfais o reino surdo
Onde há orquestrada sinfonia
De silêncio

Divino sorriso atroz
Sábios se perdem qual tolos
E enebriados concluem
Não é mais possível ser
Nem não ser
Eis a questão

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Condor

desconhecidos.
quem eleição?

cantores, atores, doutores, pastores.
marcado gado, ou ovelhas com dores?
condensendente, doce... multidão.
leite condensado feito em leito amargo

putas de uníssonas vozes,
sem receber o ordenado
sonham sair do embargo
com ajuda de seus algozes.

domingo, 17 de outubro de 2010

Quatro Cantos



Use e abuse da sua voz
Solte ela entro nós
Para ensurdecer seu pranto
Libertando-se do espanto
De ouvir sua própria voz

Quando a sós, você canta
Segurando na garganta
Poesia e canção
Dentro do seu peito, um samba
E se junta a uma rede
Que sai do seu coração

Use e abuse da sua voz
Solte ela entro nós
Para ensurdecer seu pranto
Libertando-se do espanto
De ouvir sua própria voz

Num canto da sua mente
Há um canto em dó maior
Pronto para despertar
Falando suavemente
Nunca é o tempo do quando
O som dominando o ar

E o som ao ver o sol
Sente sono e sonha então
Como encantamento some
Em silêncio, mudo e são

Use e abuse da sua voz
Solte ela entro nós
Para ensurdecer seu pranto
Libertando-se do espanto
De ouvir sua própria voz

Use e abuse da sua voz
Solte ela entro nós
Para ensurdecer seu pranto
Libertando-se do espanto
De ouvir sua própria voz

domingo, 3 de outubro de 2010

Desencadeiamento



Anos de chumbo na minha cadeira
Que já não vão voltar
Música ao fundo embala a caveira
Morta ao som do olhar
Silencioso, de adeus, nunca mais
Sem mais viver, sem mais sonhar
Anos de chumbo, lembranças distantes
Salgadas pelo mar

Um rosto assim disforme
Pelo tempo, pelo jantar
Macabro da natureza
Faz da vida um jogo de azar
Mas a distância, se é verdadeira
Mais verdade é o amar
Senhora caveira traga a mesa de chumbo
Pro meu amor jantar

Dizem os chumbos da minha cadeia
Que já não vou voltar
Música ao fundo da minha cabeça
Vendo a morte dançar
Silencioso, a Deus vou atrás
Com mais viver, com mais sonhar
Angustia ao mundo, lembranças de antes
Lavadas pelo mar

Um rosto então disforme
Agora perto do seu par
Ofusca tanta beleza
Faz o chumbo se transformar
Já não há cela, já não há cadeira
Nem mesa, nem jantar
Mande ao mundo lembranças de antes
E a alma a acenar

Desencadeiamento



Anos de chumbo na minha cadeira
Que já não vão voltar
Música ao fundo embala a caveira
Morta ao som do olhar
Silencioso, de adeus, nunca mais
Sem mais viver, sem mais sonhar
Anos de chumbo, lembranças distantes
Salgadas pelo mar

Um rosto assim disforme
Pelo tempo, pelo jantar
Macabro da natureza
Faz da vida um jogo de azar
Mas a distância, se é verdadeira
Mais verdade é o amar
Senhora caveira traga a mesa de chumbo
Pro meu amor jantar

Dizem os chumbos da minha cadeia
Que já não vou voltar
Música ao fundo da minha cabeça
Vendo a morte dançar
Silencioso, a Deus vou atrás
Com mais viver, com mais sonhar
Angustia ao mundo, lembranças de antes
Lavadas pelo mar

Um rosto então disforme
Agora perto do seu par
Ofusca tanta beleza
Faz o chumbo se transformar
Já não há cela, já não há cadeira
Nem mesa, nem jantar
Mande ao mundo lembranças de antes
E a alma a acenar

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Chinelo e o amarelo

Buscando novos amores
Cada passo, um delírio
Passo a passo, peço espaço

Transito entre carros intransigentes
Me atiro destro e desvio valente
Vadio e vidente
Fujo e feito

Chuva

Cores

Estrépito

Blasfemo e ergo o rosto rubro e marrom entre ais
Lacônico, limpo a lama
Esperando a esmo
Rumores ao redor
Gânglios

Inexorável qual aço
Pouco posso ante o lírio
Escorreguei no chão de flores

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Agora

Só existe o agora
Digo e repito um milhão de vezes

Mas então te digo: Por hora,
marquemos o agora pra daqui 3 meses.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Poema para Vanessa

Contrariando o dia,
À penumbra da noite
Ignora todo o sol,
O coração

Que no ar condicionado
Não vê condições de ar
E no decorrer da tarde.
Tarda

Mas logo a noite cai
Pra iluminar o peito.
Sol é a própria poesia.
Arda.

Nó da gravata não aperta
Mais do que o nó da garganta.
Quando chegar outro dia.
Mas hoje, não.