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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Entre palavras

Um a um, os meus amores me deixaram.
E só agora pude entender...
as palavras ditas esfarelam pelo ar,
Eterno é o silêncio calado entre palavras...

Correntes

Saudosa saudade!
 
3:27 da manhã. Deveras, não há melhor ocasião para reescrever as linhas tortas da vida. Escrevo como quem confessa ao papel as verdades mais nuas. Alijo de mim a angústia dos  volúveis disfarces das autênticas mentiras. Desfaçatez. Ímpeto. Cinismo. A velha face do poeta!
 
                        Correntes                              
                                                      
 
Uma flor murcha de papel  ao deus dará das brisas noturnas...
Nu!
           Nu diante do orvalho das lágrimas,
 
Nu diante do tempo...
         
       Nu ensimesmado...                      no Vento...
                                             
 
 
 
 
 

sábado, 12 de março de 2011

Nu

Ao contrário do senhor, eu fui visto nos últimos dias, mas tal qual o senhor, não estive presente. Era apenas um vulto que aparecia e desaparecia sem mais.

Se estava vestido? A nudez é muito mais poética. Pergunta-me se alijei dos trapos em nome do amor.

Respondo que sim, seguirei orgulhoso, com a manta dos olhares desejosos, desdenhosos, ou desairosos, que me cobrirão.

Hão de gritar "O REI ESTÁ NU!" e ainda assim terá sido um julgamento falho. Lá não haverá nenhum rei. Quando se derem conta disso, perceberão que estavam nus, eles também. Não de suas vestes, mas de seus pensamentos, preconceitos, pudores e ardores indizíveis.